Deixa-me contar como tudo começa; afinal toda história inicia no começo de alguma coisa, certo?
Pois bem, há uns 21 anos atrás quando nasci eu nasci...
Pronto já se deu o início da minha jornada, uma jornada quase que tão comum como a maioria dos habitantes deste planeta chamada de Terra.
Alguns pais recebem a notícia da gravidez com espanto, por não ser planeja ou ainda indesejável, mas ainda assim havia aqueles que planejavam imaginavam, e projetavam até enfeitavam, só faltavam emoldurar a imaginação de tanto que pensavam o quanto seria “lindo” trazer alguma criaturinha ao mundo, dar nome, paparicar, encher de mimos, cuidar amar, assim como os meus pais o fizeram.
Sim eu ainda nasci em um tempo onde havia ainda planejamento familiar, diferente da modernidade de hoje, já que nem ao menos os fatores da equação homem + mulher = filho tem sido respeitados. (Não estou fazendo apologia a homofobia de maneira alguma)
Minha mãe e meu pai me planejaram muito, minha mãe já tinha 3 filhos de um outro casamento e meu pai 4 filhos sendo um falecido logo após nascer, ( Você ter 8 irmãos {sim 8, não errei o cálculo é que depois de mim, em uma relação extra conjugal meu pai teve mais uma filha} e ainda assim ser filha única, não é para qualquer uma não)
Ah! quando nasci, ah que saudade disso, não me lembro de nada, mas por isso mesmo me da uma saudade enorme; enfim fui eu muito paparicada, loirinha dos olhos azuis, boquinha vermelhinha, parecia uma bonequinha (Modéstia à parte, por favor, era uma nenénzinha linda “dimamãe” kut kut. Assim foi quase sempre pois a aparência deu continuidade, logo, os paparicos também.
Mas a menininha estava prestes a passar por momentos bem complicados em seus poucos anos, complicações sérias me levaram a quase morte. Por motivos neurológicos, desenvolvi alguns traumas psíquicos como a epilepsia, com apenas 3 anos de idade já fazia tratamento com doses altas de um remedinho muito popular e satirizado o Gardenal. Mas alta mesmo foi a dose ‘acidental’ que um dos meus irmãos me alcançou ao dar o vidro todo ao invés de gotas para que eu tomasse (olha ai o perigo de mentir para uma criança que remédio é docinho com leite, ainda mais quando a cor dele é rosa e para piorar é doooce) e eu tomei, quase tudo, só não foi tudo porque desmaiei antes que eu terminasse de saborear meu remédio controlado.
Meu pai chegou em casa no exato momento em que eu desfalecia, ele e minha mãe ficaram desesperados, meu pai com um uma TL-Variant (parece um Brasíla ) velha ,sem freios, praticamente não se demorou a correr para o HOSPITAL público mais proximo, em todo o caminho até lá meu pai com sua mao estilo raquete pesada me "tapiava' carinhosamente o rosto para que eu não entrasse em coma.
Acordei no hospital, por incrível que pareça disso eu me lembro bem,os caninhos de lavagem estomacal, por dentro do meu nariz, posso sentir até o gosto do plástico que estava em minhas narinas, ao abrir os olhos e ver minha mãe olhado para mim com a minha cabecinha cheia de equipamentos para o acompanhamento neurológico, como se isso fosse a recordação mais próxima que eu poderia ter, de um momento onde quase parti, e de onde a partida então recomeçava ...
